O Chef Fora da Cozinha: Marketing Pessoal é o Novo Ingrediente Secreto, e a Polêmica Ferve!
- Editorial Revista Bonapetit

- 9 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Nas caldeiras da alta gastronomia, o aroma de um bom molho sempre foi o passaporte para o sucesso. Mas, convenhamos: em 2025, de nada adianta ter a técnica de um Paul Bocuse se você é um completo desconhecido fora da sua praça. A verdade, nua e crua, é que o marketing pessoal deixou de ser um acessório e se tornou o ingrediente mais crucial e polêmico no cardápio de qualquer chef ou profissional da culinária que aspire ao estrelato.
O Mito do "Chef Anônimo e Genial"
A polêmica reside justamente no choque entre a visão romântica do chef recluso, que só se preocupa com a perfeição no prato, e a realidade pragmática do mercado atual. Muitos puristas torcem o nariz, alegando que o foco excessivo em redes sociais, programas de TV ou branding pessoal desvia a atenção da verdadeira arte: cozinhar.
Eles temem que o ego supere o paladar, e que o "personagem" engula o cozinheiro. E não podemos ignorar essa crítica. Quantos talentos anônimos permanecem na sombra enquanto chefs medianos, mas com um bom engajamento, se tornam celebridades?
O Poder da Marca Pessoal na Carreira
No entanto, ignorar o marketing pessoal hoje é assinar um atestado de irrelevância. Vivemos na "Economia da Atenção". Se você não está visível, você não existe. Para o profissional da gastronomia, isso se traduz em:
Valorização Pessoal e Profissional: Um chef com uma marca pessoal forte pode negociar salários mais altos, atrair melhores investidores para seu restaurante e, crucialmente, ter o poder de ditar suas próprias regras, em vez de ser ditado pelo mercado.
Autoridade e Confiança: Aparecer, falar sobre sua filosofia, seus ingredientes e suas técnicas constrói autoridade. O público confia no "rosto" por trás do fogão. Essa confiança se traduz em mesas cheias, menções na imprensa e, sim, prêmios.
Diversificação de Receita: Hoje, o sucesso de um chef não se limita à margem de lucro do restaurante. Livros de receita, consultorias, workshops online, linhas de produtos e parcerias com grandes marcas são fontes de renda que só se abrem para quem tem um nome estabelecido e reconhecido.
A Sobrevivência do Negócio: Em tempos de crise, ou mesmo em mercados supercompetitivos, é a personalidade e a história do chef que fidelizam o cliente e dão ao restaurante uma alma inconfundível. O Alerta do Repórter: O desafio não é fazer marketing, mas sim fazê-lo de forma autêntica. O chef que se transforma em um produto vazio será desmascarado rapidamente pelo público perspicaz. A narrativa pessoal deve ser um espelho da paixão e da qualidade que saem da sua cozinha.
O Segredo é o Equilíbrio Temperado
A polêmica só será superada quando os profissionais entenderem que o marketing pessoal não é inimigo da arte; é o seu megafone. O chef do século XXI precisa ser um artista talentoso e um comunicador eficaz.
A arte de cozinhar exige técnica e dedicação; a arte de construir uma carreira de sucesso exige, além disso, que você saiba contar a sua história. O molho de tomate pode ser divino, mas se a sua marca for insossa, ele corre o risco de ser esquecido.
Portanto, para os chefs que ainda hesitam: a panela de pressão do mercado já apitou. Coloque seu avental mais estiloso, aprimore sua técnica, mas, acima de tudo, não subestime o poder de uma história bem contada. Sua valorização pessoal e o futuro de sua carreira dependem disso.




Comentários