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O lado colorido e escuro da gastronomia

Seja bem-vindo à nossa redação. É um prazer receber alguém interessado nas entranhas do que fazemos. Sente-se, aceite um café (coado, sem açúcar, por favor) e vamos falar sobre a realidade por trás das dornas de inox e das luzes do salão.

A gastronomia é uma moeda de duas faces, e ambas são igualmente magnéticas.



O Lado Colorido: A Alquimia do Prazer

O lado solar da gastronomia é o que vende revistas e lota reservas com meses de antecedência. É o palco.


  • A Estética da Emoção: É a vibração de um tomate colhido no auge da maturação, o brilho de um glace perfeitamente reduzido e o contraste de texturas que faz o comensal fechar os olhos na primeira garfada.

  • A Conexão Humana: Cozinhar é, em sua essência, um ato de serviço e amor. Não há nada mais gratificante do que ver uma sala cheia, o tilintar de taças e a percepção de que sua comida está criando memórias afetivas para estranhos.

  • A Inovação Constante: É o campo onde a ciência encontra a arte. A possibilidade de transformar um ingrediente humilde em algo transcendente através de técnica e criatividade.


O Lado Escuro: O Ferro e o Fogo

Mas, como editor, eu falharia com você se não falasse sobre o backstage. O lado sombrio não é necessariamente "mau", mas é brutal.


  • A Tirania do Relógio: A cozinha é um ambiente de pressão extrema. O "ponto" de um filé não espera o seu cansaço; a boqueta não para de cuspir pedidos porque você está triste. É um ritmo militar que exige uma resiliência psicológica quase sobre-humana.

  • O Desgaste Invisível: São as queimaduras de segundo grau que viram cicatrizes ignoradas, as 12 a 14 horas de pé, os feriados sacrificados e a privação de sono. A gastronomia cobra um pedágio caro no corpo e nos relacionamentos pessoais.

  • O Ego e a Sobrevivência: É um mercado de margens de lucro magras e egos inflamados. A busca pela perfeição pode, muitas vezes, descambar para um ambiente tóxico se não houver liderança consciente.


Como se destacar? O Conselho do Editor

Para o profissional que deseja não apenas sobreviver, mas reinar nesse mercado em 2026, meu conselho é triplo:


  1. Domine o Clássico antes do Exótico: Não adianta saber usar nitrogênio líquido se você não sabe fazer um caldo de carne (fundo) impecável. O mercado está saturado de "artistas", mas carente de técnicos fundamentados. Fundamento é autoridade.

  2. Desenvolva Inteligência Emocional: O tempo dos chefs "ditadores" está acabando. Hoje, destaca-se quem sabe gerir pessoas. O profissional que mantém a calma sob fogo cruzado e lidera com empatia é o que os grandes grupos investidores buscam.

  3. Tenha uma Causa (Autenticidade): O que você quer dizer com sua comida? Seja a sustentabilidade real (não apenas marketing), o resgate de ingredientes ancestrais ou a democratização da alta técnica. Quem tem uma narrativa autêntica não precisa gritar para ser ouvido.

"A cozinha é o único lugar onde o caos e a ordem precisam dançar juntos. Se você não aprender a amar a cicatriz tanto quanto o aplauso, você está no lugar errado."

Editorial Revista Bonapetit - Janeiro 26

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